A Oriente do Silêncio e outros Poemas – 2026.04.13
A Fundação Rui Cunha apresenta na segunda-feira, dia 13 de Abril às 18:30, o Lançamento do Livro “A Oriente do Silêncio e outros Poemas”, da autoria de Rui Rocha, uma sessão co-organizada pela Associação dos Amigos do Livro em Macau. A apresentação será feita por Vera Borges, Professora Associada da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais e coordenadora do Programa de Português da Universidade da Cidade de Macau.
“A Oriente do Silêncio e Outros Poemas” é uma obra que reúne três livros do autor: dois já esgotados, “A Oriente do Silêncio” (Esfera do Caos, 2012) e “Taotologias” (Labirinto, 2016), agora em segundas edições corrigidas e aumentadas, e um terceiro inédito intitulado “Uma Poética da Morte”. Publicado pela editora N9NA Poesia, neste mês de Abril de 2026, o novo volume inclui, além da trilogia, recensões críticas dos dois primeiros livros e uma nota introdutória do autor sobre a corrente literária chinesa que inspirou o seu novo trabalho, uma tradição poética com origem no Budismo Chan (Zen).
A poesia de Rui Rocha são registos do instante subtil, totalizante, intuitivo e, por isso mesmo, simples e conciso, captando a essência das tradições poéticas da China e do Japão. É um relato sensível do aqui e agora do lugar, transcendendo a dimensão do texto, reservando um espaço para o silêncio entre as palavras. «O poema da morteé um género de poesia que surgiu na tradição literária da China, tendo tal tradição literária sido legada aos países culturalmente tributários da China, como o Japão, a Coreia e o Vietname», revela o próprio numa breve nota introdutória a esta sua última obra de originais.
O Budismo Chan foi introduzido pela primeira vez no Japão em 653-656, adoptando o nome “Zen”, na transcrição fonética da palavra chinesa para a língua japonesa. «Das ideias centrais do Chan (Zen), para além da meditação nas suas formas mais diversas, destacaria três: o conceito vazio, vacuidade (sunyata), vazio que significa ausência de essência nas coisas, mas não a sua não-existência como fenómenos – conceito, de resto, igualmente presente no Taoísmo –; o conceito de transitoriedade, de finitude em que a consciência do ciclo natural da vida e da morte se inscrevem; o conceito do viver “aqui e o agora”, pois o aqui e agora é o único momento real que existe na finitude do nosso fio do tempo. A poesia sobre a morte é afinal, paradoxalmente, uma reflexão sobre a importância da vida na sua finitude», acrescenta ainda.
Rui Rocha nasceu em Lisboa em 1948, descendente de uma família luso-chinesa, que vive no território há cerca de quatro décadas. Trabalhou na administração pública local, foi director da Fundação Oriente e do Instituto Português do Oriente, e exerceu funções docentes no Ensino Superior. Aposentou-se em 2017 do cargo de Director do Departamento de Língua Portuguesa e Cultura dos Países de Língua Oficial Portuguesa da Universidade da Cidade de Macau. A formação académica em Sociologia, Ciência Política e Educação e Interculturalidade viria a influenciar toda a sua produção literária, com a geografia poética de Macau a permear a génese textual dos seus poemas.
Para Isabel Cristina Mateus, professora de Literatura da Universidade do Minho que tem acompanhado de perto a poesia de Rui Rocha, «é cada vez mais urgente escutar a voz do silêncio, sentir na pele o pulsar de uma natureza de que há muito culturalmente nos afastámos». Segundo a mesma, dos poemas de Rui Rocha emana «uma intensa quietude, um quase apagamento do eu lírico, uma linguagem objectiva, minimal, uma estilização do traçoque, mais do que dizer, pretendem dar a ver esse instante intuitivo de revelação ou iluminação interior».
Este seu estilo, considera ainda a académica, retoma a «tradição dos haikus (ou “haikai”) de Bashô e a ligação ao Budismo zen, mas também a intensa visualidade da poesia de Wang Wei, Du Fu ou Li Bai (cruzando distintas formas métricas, incluindo o verso livre trazido pelo modernismo ocidental)».
«Mas, embora o poeta enfatize esta proximidade à tradição poética chinesa e japonesa, convém notar que uma tal proximidade não anula ou rasura a sua ligação à tradição poética ocidental e, em especial, à tradição poética portuguesa, de Herberto Hélder ou Nuno Júdice, dois poetas que Rui Rocha confessa admirar», assinala ainda Isabel Cristina Mateus.
O lançamento do livro “A Oriente do Silêncio e outros Poemas”, de Rui Rocha, está inserido no contexto da Exposição Colectiva de Fotografia e Arte, “Vanitas — Reflexões sobre Transitoriedade e Legado”, que decorre na Galeria da Fundação Rui Cunha até ao dia 18 de Abril de 2026.
O evento será realizado em Português.
A entrada é livre.
Não perca!
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