O Comércio da Pintura em Macau – 2026.01.28
A Fundação Rui Cunha apresenta hoje, quarta-feira, dia 28 de Janeiro às 18:30, a conferência “On Macau Trade Paintings: Creating a new painting category”, conduzida pela investigadora e Professora Doutora Cristina Osswald, especialista em História da Arte Global, com enfoque na Ásia, que resulta de um projecto de investigação sobre o multilateralismo na arte, financiado pela Universidade Politécnica de Macau e pela Universidade de Sevilha, em Espanha.
A discussão, no âmbito do ciclo Pauta de Histórias, vai incidir sobre diversas representações artísticas de Macau e da região do Delta do Rio das Pérolas, produzidas nos séculos XVIII e XIX e exibidas no Ocidente. A apresentação pretende «abordar uma nova categoria de pintura, as Pinturas Comercializadas de Macau, distintas das Pinturas Comercializadas da China. Este conjunto relativamente pequeno, de cerca de trezentas pinturas, data de um curto período de tempo, entre o final do século XVIII e meados do século XIX», segundo a proposta da oradora convidada.
«O Comércio da Arte em Macau surgiu a partir de encomendas, originalmente de mecenas ocidentais (raramente portugueses), seguidas de pedidos de clientes chineses e de outros países asiáticos. Estas pinturas foram produzidas por pintores ocidentais, na sua maioria amadores que viviam ou visitavam Macau, inspirados em protótipos levados para o Ocidente, e com a participação de alguns pintores profissionais chineses e oficinas de artesãos».
Além de pinturas a óleo sobre tela, «as especificidades urbanas e arquitectónicas de Macau foram também representadas em aguarelas, guache e, em menor escala, em pinturas reversas em vidro e em pinturas chinesas em papel de arroz. Exemplos destas paisagens incluem os portos marítimos, as vistas do porto, as paisagens rurais, os diferentes rituais religiosos, o quotidiano da sua população multiétnica e a emergência de Macau como centro turístico internacional», refere Cristina Osswald.
A investigadora acredita que «a compreensão desta produção artística requer uma estratégia de investigação multidisciplinar, que integre dados e ferramentas metodológicas de um vasto leque de disciplinas, incluindo a literatura, a sociologia e a história económica. A participação de pintores ocidentais e chineses e o mecenato misto, a fusão de técnicas locais com técnicas e materiais ocidentais, e os temas que reflectem a administração portuguesa de Macau, a presença de ocidentais no contexto do Comércio de Arte de Cantão e o contexto chinês mais amplo, contribuíram para este carácter transcultural particular», que interessa estudar como um fenómeno próprio.
Cristina Osswald é uma historiadora portuguesa de Arte e Cultura do início da Idade Moderna, com especialização no Império Ultramarino Português. É doutorada pelo Instituto Universitário Europeu (Departamento de História e Civilização), em Florença, Itália, com uma tese sobre a Arte Jesuíta em Goa(1542-1655). Actualmente a leccionar na Universidade Politécnica de Macau, é também a investigadora principal de um projecto sobre Artes e Arquitectura Globais durante a Dinastia Qing.
O evento será realizado em língua inglesa.
A entrada é livre.
Não perca!
Por Macau, Mais e Melhor!





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